sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Verdade...

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sofrimento...

Está disseminada uma forma de pensar os jovens como a geração perdida.

Falo nisto após ler um texto do meu amigo João, baseado num artigo de César das Neves no DN.

«“As novas gerações queixam-se do sistema sem futuro que os pais criaram na revolução e que os condena ao emprego precário. Multiplicam-se as queixas, escândalos, intrigas, fúrias, desconfianças. Apela-se a um Salazar que venha pôr isto na ordem. Portugal está desanimado.”

Sempre conheceram uma vida feita de facilidades, portanto, ao mínimo problema sentem grandes dificuldades!»

Guardo acima de tudo esta citação que esquece uma série de coisas e que tem ligadas uma série de outras coisas.

1º- pela primeira vez na história é consensual que uma geração viverá pior que a precedente.

2º- a geração que nos precede vivia melhor que a anterior e também se queixava, isto é válido para o João como para o Dr César das Neves.

3º- o facto de algo ter sido sempre difícil não significa em lado nenhum que tenha de continuar díficil.

4º- esta opinião veiculada por César das Neves e pelo João Simões é apenas reflexo de uma atitude adaptativa do género: está mal?já esteve pior...

5º- mas a atitude não fica por aí. Ambos propõem saídas. Quais? Que cada um seja forte e capaz de ultrapassar as dificuldades. Mentira?Não...

6º- mas esconde a maior realidade de todas. As pessoas não estão mal, a pobreza, a violência, o que quer que seja, não é por culpa individual de cada um, tudo isto é antes causado por um contexto social desequilibrado, pela falta de laços sociais, pela emergência do individualismo e consequente egoísmo.

7º- É uma solução centrada no individuo que ambos advogam. Toda a atitude é assim criadora de mais dificuldades...

8º- o individualismo é fácil de entender nesta frase: «É através da acção diária de 10 milhões de pessoas, cada uma a tentar melhorar a vida, que o País avança.”»

9º- não amigos, o país avança quando forem criadas condições para a existência de uma verdadeira sociedade civil participativa, que pela sua acção tenha o Estado como real representante e que crie verdadeiros sistemas públicos igualitários e equitativos de justiça social.

10º- Só a seguir estarão conseguidas condições para o ânimo, a segurança de cada um, só aí a sociedade poderá crescer como um todo e não deixando a grande massa da população para trás.

É isto que está em questão.

Amigos da minha geração, não deixem que vos calem porque supostamente já houve alguém que sofreu mais. A nossa resposta é - nem um bocadinho mais de sofrimento. A era do sofrimento chegou ao fim e nós havemos de mostrá-lo a esta geração anterior que tem medo que o bolo do sofrimento não chegue para nós...


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

insónia...

"É o medo que nos tolhe e, directa e indirectamente, nos inibe de expandirmos a nossa potência de vida, e mesmo a nossa vontade de viver."

[JOSÉ GIL; PORTUGAL, HOJE - O MEDO DE EXISTIR]



não deixemos que o medo também nos iniba e impeça de sonhar...

Lágrima de preta

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.


Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.


Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.


Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.


Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:


Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio

António Gedeão

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SEM TÍTULO QUANDO NÃO HÁ PALAVRAS


É verdade que o Homem é um ser é muito cruel e tantas vezes desumano. Mas este vídeo ultrapassa TUDO.
É maldade e crueldade pura. É ÓDIO e rancor. É vingança e uma total brutalidade… é TUDO.


Como?


Estas imagens, são de uma câmara de instalada no exterior de um Bar-Discoteca no centro comercial Stop na rua de Heroísmo no Porto.

Mas se já é tão difícil admitir que isto possa acontecer… Torna-se impossível acreditar como é que os seguranças daquela discoteca reagem…

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A cultura do medo e da violência

Os Estados Unidos têm a mais alta taxa de crimes violentos. Bem mais alta que outros países democráticos como a Alemanha, França, Japão, Reino Unido e outros.

No dia 20 de Abril de 1999, dois jovens estudantes entraram armados na biblioteca de uma escola pública em Columbine – Colarado e mataram 12 colegas e 1 professor seguindo-se depois o suicídio dos dois.

A história dos Estados Unidos é apresentada no filme Bowling for Columbine no qual é explicada de uma forma sarcástica a causa do terror e do medo dos amaricanos.
Senão vejamos….
E aqui está o resultado...

Serviço gratuito de avaliações com açúcar e férias com morangos *


As férias da criançada este natal foram uma alegria… e as notas do 1º período uma verdadeira palhaçada!
Ao que parece, existe um novo pai natal… este dá aulas e BOAS NOTAS… também é bom…
Segundo consta, os alunos portugueses têm-se esforçado para tirar maus resultados escolares… não estudam, não são empenhados e não desejam o CONHECIMENTO. Contudo, esta preguiçosa tarefa dos estudantes tem-se revelado muito difícil de atingir… é verdade! Os alunos portugueses têm cada vez mais dificuldades em chumbar o ano. Os alunos tiram um “Não Satisfaz”, mas os professores, porque é Natal, lá dão o três. Melhor para os alunos, muito pior para Portugal.
Sócrates diria “Porreiro pá!”, mas eu digo muito baixinho “Porra pá!”. Temos alunos cada vez mais medíocres, mal formados, sem valores, sem regras e sem ambições. Não conhecem, nem querem conhecer porque não gostam de nada e nem sequer sabem de que é que gostam. De matemática não gostam, de inglês não percebem nada, história é uma seca e Camões e Eça de Queiroz nunca deviam ter nascido…
Cavaco Silva diz que um país sem crianças é um país sem futuro, mas se as poucas crianças e adolescentes que temos têm a cabeça tão cheia de nada que futuro é que podemos esperar?

* qualquer semelhança com a ficção não é pura coincidência