quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Quanto tempo aguentamos contentes?

Numa conversa entre duas amigas ao telemóvel:
- Ana! Cheguei à três dias do Brasil! Estou tão contente… era o sonho da minha vida… O Brasil é lindo, lindo, lindo,… Ó Ana tu também tens de ir lá acredita que vale mesmo a pena!
- Eu já fui ao Brasil à dois anos. Este ano fui ao Egipto…. vi as pirâmides! Ó Carolina, são grandiosas, imponentes, … Tu tens de ir ao Egipto, é completamente diferente do Brasil…
- Pois… Eu ao Egipto nunca fui… Mas ver as pirâmides ali mesmo à nossa frente… bem… deve ser completamente diferente do que vi em livros ou na televisão.
- Podes crer…
- Talvez para o ano vá ao Egipto….

Dois amigos à conversa num bar:
- Epah! Em Junho, finalmente, acabo o 12º ano!
- E depois vais para que universidade? Já pensaste?
- Eu não quero estudar mais… o 12º ano já chega…
- Mas olha que agora á mais viável tirares no mínimo uma licenciatura… já nem falo de um mestrado, nem de um doutoramento….
-Mestrado!?!, Doutoramento!?!.... Eu tiro o 12º ano e fico feliz
- Epah… Hoje toda a gente tira uma licenciatura…. É o mínimo… Além disso, se fores para o ensino superior conheces novas pessoas, vais para outra cidade, vais viver para uma casa longe dos teus pais…
- Pois... Talvez tenhas razão… Dizem que agora o 12º ano vai ser obrigatório… Talvez vá também tirar uma licenciatura! Logo se vê! Fico a pensar nisso!

O Homem só quer aquilo que conhece. O desconhecido não é desejado pelo ser humano, precisamente, por desconhecer a sua existência. Mas quando o Homem tem o conhecimento de algo que ainda não fez ou de tudo aquilo que pode fazer fica descontente.
O conhecimento de possibilidades antes não experimentadas mas que, todavia, o Homem gostaria de experimentar das duas uma: ou levam o Homem à busca e à luta pela sua conquista ou então levam o Homem à depressão.
Ao contrário, quando o Homem desconhece outros estilos de vida, outros carros, outras casas, outras terras, … fica contente na sua casa…


O Quinto Império

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
(…)

Fernando Pessoa, Mensagem


D. Sebastião, Rei de Potugal
(…)
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?



Fernando Pessoa, Mensagem

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Agressividade e meios de comunicação

A observação de um modelo agressivo pode desencadear impulsos agressivos nas crianças e ensinar-lhes novas formas de agressão. Facto comprovado por Albert Bandura, psicólogo, nos começos da década de 1960. Bandura realizou uma experiência com crianças a qual demonstrou que as crianças aprendem condutas agressivas por observação (http://www.youtube.com/watch?v=uMwOexrV6fM).

Influenciará, do mesmo modo, ver na televisão modelos agressivos?
Em média, a televisão está acesa 7 horas por dia, em cada casa, com 4 horas em média para cada membro da família....
  • As mulheres vêem mais do que os homens;
  • Os não-brancos mais do que os brancos;
  • As crianças que não frequentam a escola e os reformados mais do que os que vão à escola;
  • Os que trabalham e os que têm menos instrução mais do que os muito instruídos.

Durante todas estas horas, que modelos de comportamento se vêem?
Durante 25 anos investigadores da Universidade da Pensilvânia recolheram dados sobre os programas nos tempos de maior audiência e aos sábados de manhã. Já com os olhos cansados, analisaram uns 10 mil programas das principais cadeias de televisão. O que encontraram? Seis em cada dez programas continham violência.
Nos programas destinados ás crianças, nos períodos de maior audiência, numa hora de televisão podem existir entre 20 a 25 actos violentos, mais do que nos programas generalistas. O estudo prova ainda que os jovens envolvidos num maior número de casos agressivos ou violentos são aqueles que vêem mais horas de televisão.

Aonde conduzem este factos?
Em média, ao terminar o segundo ciclo, uma criança viu 8 mil assassínios e 10 mil actos violentos na televisão.

Será que os espectadores imitam os modelos violentos?
Abundam os exemplos de pessoas que reproduziram os crimes mostrados na televisão.
Numa análise dos crimes de 208 reclusos...
  • Nove em casa dez admitiam que tinham aprendido novas formas de criminalidade vendo programas de televisão.
  • Quatro em cada dez afirmaram que tinham executado crimes específicos vistos na televisão.

As crianças reproduzem os comportamentos que observam. Sejam eles modelos televisivos ou familiares(http://www.youtube.com/watch?v=ipIQ23bcEdA).


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"ISTO É MEU"

"O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao género humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém'"

Rousseau

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Nascemos estúpidos"

"Nascemos fracos, precisamos de forças, nascemos desprovidos de tudo, temos necessidade de assistência; nascemos estúpidos, precisamos de juízo. Tudo o que não temos ao nascer, e de que precisamos em adultos, é-nos dado pela educação. Essa educação vem-nos da natureza ou dos homens ou das coisas."

Jean Jaques Rousseau

A NATURALIDADE das CRENÇAS RELIGIOSAS

Depois de 9 meses de gestação, lá nasceu o “Pedro”…
À nascença o “Pedro” é como todas as crianças do mundo, uma tábua rasa, ou melhor, uma página em branco que irá ser preenchida ao longo da sua vida através das interacções ocorridas no seu meio social.
Assim, o “Pedro” será educado para viver na sociedade… completamente moldado pelos valores, regras e princípios familiares…

Agora, vamos a probabilidades:
1º) Se o “Pedro” nasceu no Cairo, será Muçulmano;
2º) Se nasceu no Tibete, se calhar vai ser budista;
3º) Se nasceu em Espanha, deverá ser cristão;
4º) Se a sua família for comuna provavelmente será ateu.

Todos os crentes têm um ponto em comum: acreditam que a sua “versão” da criação do mundo e o deus a que rezam é o verdadeiro… é legítimo!

Porquê?

1º) Porque nada sabem ou pouco conhecem de outro deus que não o deles;
2º) Porque o deus em que crêem é o mesmo deus em que a sua família acredita;
3º) Porque todas as pessoas com quem se relacionam rezam ao mesmo deus.

Cada pessoa nasce numa realidade diferente e pouco sabe do que acontece, do que se pensa ou daquilo em que se acredita noutros lugares mais longínquos do seu…
O desconhecido assusta sempre e gera um grau de desconfiança que impede a sua aceitação e que cria barreiras que não têm de existir porque todo o Homem, antes de ser crente é Humano. E para se ser Humano não é necessário ler nenhum livro ou acreditar em algum deus…
A ajuda ao próximo é obrigação do Homem enquanto ser que é racional…
A prática do bem comum é dever de todo o ser Humano, porque todo o Homem tem um coração que se fere com a maldade, que tem medo da solidão e que desespera com o medo… e o coração não tem religião porque é Humanitário!

domingo, 24 de janeiro de 2010

IRONIA: uma via para o CONHECIMENTO

O Homem é um ser moldado pelo meio em que se desenvolve... Por ser eminentemente social as suas apetências cognitivas e sociais são determinadas pela estimulação ocorrida durante o seu desenvolvimento.
Assim, não há um Homem que seja completamente responsável pela sua personalidade.

Ninguém é totalmente culpado pelas suas ideias e pelos seus objectivos porque estes constituem aspirações que o meio social proporcionou ao Homem durante o seu crescimento.
Este simples princípio implica, inteiramente, uma sensata e inteligente TOLERÂNCIA. Tolerância pelo outro e com o outro que geram a COMPREENSÃO.

Ora, são precisamente estes 2 princípios, a TOLERÂNCIA e a COMPREENSÃO que geram o CONHECIMENTO.

Olhemos ao caso de SÓCRATES na antiga Grécia…

Sócrates dizia que a filosofia não era possível enquanto o indivíduo não se voltasse para si próprio e reconhecesse as suas limitações. "Conhece-te a ti mesmo" era a sua máxima.
Ora, o saber só poderia ser alcançado através de perguntas.
Mas as suas perguntas estavam envolvidas num duplo sentido:
1º) Ironia;
2º) Maiêutica.

1º) IRONIA...
Sócrates costumava iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, opiniões que ele APARENTEMENTE aceitava. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolvia as opiniões originais do tal interlocutor, mostrando a tolice e os absurdos das suas opiniões superficiais, através das consequências contraditórias ou absurdas destas mesmas opiniões e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória. Esta primeira parte do método de Sócrates, estava destinada a levar o indivíduo à convicção do ERRO.


2º) Maiêutica...
Na maiêutica, dá à luz um NOVO CONHECIMENTO, um aprofundamento que não chega ao conhecimento absoluto. Ele comparava frequentemente este método com a profissão da mãe que era parteira: era possível trazer a verdade à luz. Assim, ele voltava-se para os outros, e interrogava-os a respeito de assuntos que eles julgavam saber. O seu sentido de humor confundia os seus interlocutores, que acabavam por confessar a sua ignorância, da qual Sócrates extraía sabedoria.


Por exemplo, querendo apreender o conceito de coragem, dirigia-se ao um general, e perguntava-lhe:
- você que é general, poderia me dizer o que é a coragem?
O general respondia-lhe:
- coragem é atacar o inimigo, nunca recuar.
Mas Sócrates contradizia:
- às vezes temos que recuar para melhor contra atacar.

E a partir daí continuava o debate ampliando o conceito.

O exemplo clássico da aplicação da maiêutica é um diálogo platónico (Mênon), no qual Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e a formular vários teoremas de geometria.


O método de Sócrates parte do principio de que tudo o que o Homem precisa ele já possui... apenas é preciso alguem que o guie e que faça dar à luz novas ideias mais fundamentadas e concretas...

sábado, 23 de janeiro de 2010