"Portugal sofre de “ciganofobia” e mais de 80 por cento da população tem comportamentos racistas contra os ciganos, defendeu o antropólogo José Pereira Bastos, para quem não há ninguém em Portugal que se interesse por estas pessoas."
Depois do que vemos passar-se em França com a expulsão de milhares de ciganos de volta para os seus países de origem, é boa altura para em Portugal pensarmos acerca do mesmo assunto.
"Ninguém se interessa por estas pessoas", mas será que "estas pessoas" merecem interesse?
Para ajudar ao debate, deixo alguns comentários da caixa de comentários do citado artigo do Público:
"Porque será? Queres vêr que o povo português não tem direito e reagir contra aquilo que o prejudica venha de onde vier."
"Tendo em conta a forma de vida predominantemente parasitária da maioria dos ciganos, claro que seria de estranhar que aqueles que são directamente prejudicados pela sua conduta aceitassem de bom grado continuar a ser roubados, agredidos na escola e ameaçados na rua e muitas vezes em casa e no local de trabalho por gente que não respeita a lei e os direitos do outros. Solicito aos senhores que estão dispostos a tolerar estes comportamentos para acolher os ciganos em sua casa e para irem morar para junto deles. Não sejam hipócritas."
"o estado DÁ: casa de borla, rendimento mínimo garantido e vai fechando os olhos às actividade 'económicas' paralelas. Em troca recebe, assaltos, violência nas escolas, parasitismo social, degradação de espaços públicos... Mas temos de aguentar com tudo porque nós já fizémos mal a muita gente! Que rica lógica... Vê-se mesmo que não faz a mínima ideia do que é um bairro social... Quem não vem pa trabalhar, não faz cá falta! Malandros já nós temos com fartura, não precisamos de importar...."
"Parece que No meu bairro há um cigano que é tão ladrão, tão falso e tão fingido que até já lhe chamamos o Português!" (sem duvida o melhor comentário de todos...ahahah)
"Em lugar de estudar as razões porque os portugueses não gostam dos ciganos, esse senhor pseudo investigador científico vem chamar-nos de racistas. As pessoas não gostam de ciganos simplesmente porque a esmagadora maioria das pessoas desta etnia não respeitam as regras da nossa sociedade, agridem-nos, roubam-nos e violentam-nos diariamente. Devemos gostar e ter respeito por aqueles que não nos respeitam e que, para além disso, vivem à nossa custa através dos subsídios generosos que recebem do Estado, das casas que o Estado lhe dá gratuitamente, tudo pago por nós que trabalhamos e respeitamos a lei ?"
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Porque...
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Trova do Vento que Passa
"Há sempre alguém que resiste. Há sempre alguém que diz não..."
França vai pôr fim à igualdade perante a lei?
José Vitor Malheiros, Público
Os sindicatos franceses convocaram para hoje em todo o país manifestações de protesto contra as reformas da Segurança Social propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy. A subida da idade de reforma dos 60 para os 62 anos constitui a principal razão da contestação sindical, mas os desfiles de rua irão certamente focar também outras razões de protesto, como as suspeitas de financiamento ilegal da campanha presidencial de Sarkozy em 2007, as suspeitas de favorecimento fiscal da multimilionária Liliane Bettencourt e de tráfico de influências envolvendo o ministro Eric Woerth e o escândalo do tratamento policial discriminatório dado aos ciganos - dos quais cerca de mil já foram expulsos para a Roménia e Bulgária nos últimos três meses.
As expulsões de ciganos têm sido o pico do icebergue da "política de segurança" de Sarkozy, que prometeu erradicar de França os "elementos criminosos de origem estrangeira". Estes "criminosos de origem estrangeira" são, de acordo com o discurso sarkozista, as maçãs podres que contaminam um tecido social francês de gema que é ordeiro e amante da paz.
Apesar da atenção que as expulsões de ciganos têm merecido - devido, em grande parte, às imagens pungentes captadas quando do desmantelamento de acampamentos de ciganos e da sua deportação -, existe outra medida anunciada, na mesma linha, que se revela ainda mais preocupante, não apenas devido às suas intenções, mas devido à fraca contestação que a oposição lhe tem dedicado.
Trata-se da alteração (i)legal que Sarkozy preconiza, no sentido de retirar a nacionalidade francesa aos franceses naturalizados que cometam crimes graves - nomeadamente contra elementos das forças da ordem. A medida, a ser aprovada, criará duas classes de cidadãos, definindo penas diferentes pelo mesmo crime para cidadãos "franceses de gema" e para "neofranceses", reinstaurando um sistema penal de base étnica de triste memória.
É irrelevante que o Sarkozy-filho-de-emigrantes acredite ou não nas patranhas da particular inclinação para o crime dos "ciganos de origem romena e búlgara" - ao longo do Verão foi preciso afinar o tiro e especificar etnias com cuidados de bordadeira, quando se descobriu que a esmagadora maioria dos chamados "ciganos nómadas" eram afinal... franceses. O que é relevante é que a estigmatização étnica seja possível no século XXI e se traduza em votos. O que Sarkozy pretende não é evidentemente aumentar a segurança, mas apenas garantir a sua reeleição em 2012 e conta com as tiradas e medidas xenófobas para recuperar uma popularidade que atingiu níveis mínimos desde a eleição.
As redes criminosas que existam no meio dos ciganos não são mais perigosas que a actividade dos banqueiros e não é por isso que se deportam os banqueiros - mas estes, como é sabido, são ricos.
Não está aqui em causa se existem redes de crime organizado entre os ciganos e se o nomadismo pode facilitar o seu encobrimento - há provas de que elas existem e a esquerda francesa faz mal em tentar recusar o óbvio. O que está em causa é o estabelecimento da equação cigano=criminoso e estrangeiro=criminoso que o Presidente e o Governo francês têm feito tudo para afirmar, alimentando os mais baixos sentimentos de uma classe média e baixa em perda de poder de compra e risco de desemprego. (Veja-se o apoio popular às declarações racistas do banqueiro Thilo Sarrazin na Alemanha.)
Hoje as ruas das cidades de França vão certamente encher-se de slogans anti-Sarkozy e os manifestantes vão congratular-se na sua solidariedade humanista com os emigrantes. Mas dentro de casa ficará uma camada considerável de pessoas, talvez crescente, para quem Sarkozy fala, que está pronta a aceitar leis diferentes para cidadãos conforme a sua origem geográfica ou a sua cor da sua pele, e que o estarão tanto mais quanto mais a situação social se degradar. Algo que teríamos considerado impensável em 1945.
Os "criminosos de origem estrangeira" são as maçãs podres que contaminam a sociedade dos "verdadeiros franceses"
Os sindicatos franceses convocaram para hoje em todo o país manifestações de protesto contra as reformas da Segurança Social propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy. A subida da idade de reforma dos 60 para os 62 anos constitui a principal razão da contestação sindical, mas os desfiles de rua irão certamente focar também outras razões de protesto, como as suspeitas de financiamento ilegal da campanha presidencial de Sarkozy em 2007, as suspeitas de favorecimento fiscal da multimilionária Liliane Bettencourt e de tráfico de influências envolvendo o ministro Eric Woerth e o escândalo do tratamento policial discriminatório dado aos ciganos - dos quais cerca de mil já foram expulsos para a Roménia e Bulgária nos últimos três meses.
As expulsões de ciganos têm sido o pico do icebergue da "política de segurança" de Sarkozy, que prometeu erradicar de França os "elementos criminosos de origem estrangeira". Estes "criminosos de origem estrangeira" são, de acordo com o discurso sarkozista, as maçãs podres que contaminam um tecido social francês de gema que é ordeiro e amante da paz.
Apesar da atenção que as expulsões de ciganos têm merecido - devido, em grande parte, às imagens pungentes captadas quando do desmantelamento de acampamentos de ciganos e da sua deportação -, existe outra medida anunciada, na mesma linha, que se revela ainda mais preocupante, não apenas devido às suas intenções, mas devido à fraca contestação que a oposição lhe tem dedicado.
Trata-se da alteração (i)legal que Sarkozy preconiza, no sentido de retirar a nacionalidade francesa aos franceses naturalizados que cometam crimes graves - nomeadamente contra elementos das forças da ordem. A medida, a ser aprovada, criará duas classes de cidadãos, definindo penas diferentes pelo mesmo crime para cidadãos "franceses de gema" e para "neofranceses", reinstaurando um sistema penal de base étnica de triste memória.
É irrelevante que o Sarkozy-filho-de-emigrantes acredite ou não nas patranhas da particular inclinação para o crime dos "ciganos de origem romena e búlgara" - ao longo do Verão foi preciso afinar o tiro e especificar etnias com cuidados de bordadeira, quando se descobriu que a esmagadora maioria dos chamados "ciganos nómadas" eram afinal... franceses. O que é relevante é que a estigmatização étnica seja possível no século XXI e se traduza em votos. O que Sarkozy pretende não é evidentemente aumentar a segurança, mas apenas garantir a sua reeleição em 2012 e conta com as tiradas e medidas xenófobas para recuperar uma popularidade que atingiu níveis mínimos desde a eleição.
As redes criminosas que existam no meio dos ciganos não são mais perigosas que a actividade dos banqueiros e não é por isso que se deportam os banqueiros - mas estes, como é sabido, são ricos.
Não está aqui em causa se existem redes de crime organizado entre os ciganos e se o nomadismo pode facilitar o seu encobrimento - há provas de que elas existem e a esquerda francesa faz mal em tentar recusar o óbvio. O que está em causa é o estabelecimento da equação cigano=criminoso e estrangeiro=criminoso que o Presidente e o Governo francês têm feito tudo para afirmar, alimentando os mais baixos sentimentos de uma classe média e baixa em perda de poder de compra e risco de desemprego. (Veja-se o apoio popular às declarações racistas do banqueiro Thilo Sarrazin na Alemanha.)
Hoje as ruas das cidades de França vão certamente encher-se de slogans anti-Sarkozy e os manifestantes vão congratular-se na sua solidariedade humanista com os emigrantes. Mas dentro de casa ficará uma camada considerável de pessoas, talvez crescente, para quem Sarkozy fala, que está pronta a aceitar leis diferentes para cidadãos conforme a sua origem geográfica ou a sua cor da sua pele, e que o estarão tanto mais quanto mais a situação social se degradar. Algo que teríamos considerado impensável em 1945.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Movimento Perpétuo...
Para Sempre, Carlos Paredes...
domingo, 5 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
"Tenho dó das estrelas
Luzindo à tanto tempo,
Há tanto tempo...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim,
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão -
Qualquer coisa assim
Como um perdão?"
Luzindo à tanto tempo,
Há tanto tempo...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim,
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão -
Qualquer coisa assim
Como um perdão?"
Fernando Pessoa
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