quarta-feira, 14 de março de 2012

Criança

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste,

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.

Cecília Meireles, in 'Viagem'

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Coca Cola: Há razões para acreditar num mundo melhor



«É irónico ser um ex-libris do capitalismo a fazer um vídeo destes, mas a Coca Cola fez um vídeo realmente bem conseguido,...»

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"O mundo visto pelo prisma da solidariedade"


Em tempo de fados...

Em tempos de fado, e sabendo que a canção de Coimbra não faz parte da candidatura que tornou o fado Património Imaterial da Humanidade, deixo um grande tema, cantado pelo grande Luiz Goes - É preciso acreditar - e é mesmo...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Afegã violada tem de casar-se com o agressor para sair da prisão

Uma afegã de nome Gulnaz, de 21 anos, enfrenta um terrível dilema: ou permanece na prisão com uma filha pequena, cumprindo pena por ter sido violada por um homem casado, ou contrai matrimónio com o agressor para poder sair da prisão.

(...)

Depois da violação não contou a ninguém o que se tinha passado – sabendo que não seria ajudada – mas depressa a verdade veio à tona: estava grávida.

Acabou por ser julgada por adultério e condenada a 12 anos de prisão. É lá que está actualmente, com a sua filha. Cumprem pena em conjunto.

Para sair da prisão, só tem uma solução: casar-se com o seu agressor. A única forma de uma mulher afegã ultrapassar a desonra de ter sido violada, ou de ter incorrido em adultério, é casar-se com o seu atacante.

(...)

A jovem diz que na sua decisão pesa o futuro da filha. Só assim poderão permanecer juntas e em liberdade.

Mas - adianta a CNN - a escolha de Gulnaz não a livra de perigo. A família do atacante ou mesmo a sua própria família poderão querer matar a jovem por ter desonrado o nome familiar. É muito provável que, mal ponha pé fora da prisão, Gulnaz corra perigo de vida.

Público

sábado, 19 de novembro de 2011

O SNS "é bom, é necessário e eu devo-lhe a vida"

Criado há 32 anos, antes toda a assistência médica era assegurada pelas famílias, pelas instituições privadas ou pelos serviços médico-sociais da Providência. Para o escritor, político e candidato às eleições presidenciais de 2006 e 2011, o SNS "é bom, é necessário e eu devo-lhe a vida".

O SNS abrange todas as instituições e e todos os serviços oficiais de saúde dependentes do Ministério da Saúde. Na opinião de Manuel Alegre, "o povo português não pode passar sem o seu Serviço Nacional de Saúde".

Diário de Notícias


segunda-feira, 7 de novembro de 2011


Com certeza que quem já abriu hoje a página do Google reparou na brilhante imagem que hoje lhe dá cara.


Pois é: Marie Curie, a brilhante cientista polaca e a primeira individualidade a ser galardoada com 2 prémios Nobel: o primeiro foi o Nobel da Física (em 1903, dividido com Pierre Curie – seu marido – e Becquerel) pelas suas descobertas na área da radioactividade; o segundo foi o Nobel da Química (em 1911) pela descoberta dos elementos químicos Rádio e Polónio.


Assinala-se hoje a data do seu nascimento e, tendo eu o “bichinho” da radioactividade, não podia deixar a data em branco… :)


domingo, 30 de outubro de 2011

Como começar?

No último texto abordei algumas questões práticas sobre a actuação na sociedade, mais especificamente da importância da fase de aprendizagem e de pesquisa que pode permitir uma verdadeira actuação prática na sociedade. Hoje falarei sobre formas concretas de levar avante essa aprendizagem.

A principal dificuldade surge no início. Entrar num tema novo implica algumas dificuldades, entre as quais, o desconhecimento inicial, que dificulta a apreensão de certos pontos essenciais para a compreensão dos textos. Certos conceitos são também dificeis de conhecer numa fase inicial. Além disso, antes de entender os temas é difícil deles obter prazer, o prazer e o gosto de aprender.

Penso que há que começar por textos pequenos. Artigos de jornal, leitura de blogues de referência, etc... Textos pequenos facilitam a captação dos temas e ajudam a que não se caia no desânimo. Os conceitos desconhecidos são facilmente procurados e encontrados na internet. Nesta primeira fase fontes como a wikipédia são aceitáveis e importantes.

Numa fase seguinte, a leitura de livros ou capítulos de livros com explicações simples sobre os assuntos ajuda a aprofundar os temas. O passo seguinte consiste na leitura de manuais introdutórios sobre os temas.

Trata-se, até aqui, de uma espécie de curso de estudos gerais. A partir desta fase surge a necessidade de escolher alguns temas mais específicos e continuar a trabalhar mais vincadamente nesses temas.

Para facilitar a primeira fase comecei a colocar diversas ligações na barra lateral deste blogue. Até agora estas ligações estão centradas nos dois temas essenciais onde me tenho debruçado: economia política e teologia. O trabalho que pode ser levado a cabo dentro de um grupo permite um crescimento exponencial de conhecimentos e assim, de partilha desses mesmos conhecimentos. Assim, a ideia será de que os restantes membros deste blogue vão colocando ligações para outros artigos. Talvez uma lista para artigos mais complexos de revistas científicas, ligações para blogues que deviam ser de acompanhamento obrigatório. A partilha de informações e o debate são a grande vantagem de se fazer o trabalho em grupo.

De seguida, a leitura de livros deve ser feita também num espírito de partilha. Em grupo seria possível criar um sistema de partilha de livros. Em grupo, a existência de pessoas com conhecimentos complementares permite também que o debate e a partilha possam trazer livros relevantes acompanhados de uma explicação de um dos membros do grupo especialista na matéria.

Com isto nestes termos, o que me dizem? Vamos a isto?

sábado, 29 de outubro de 2011

E a montanha pariu...

...um segredozinho...

Vá, não digo que para a grande maioria das pessoas o que Anselmo Borges escreve aqui não seja um segredo. É-o de certeza. Mas os reparos feitos à obra de JRS põem as coisas no lugar, inclusivé o próprio JRS que andava já demasiado armado em "carapau de corrida".

Bem, mais um artigo de Anselmo Borges que vai aqui para a barra lateral...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um Plano Estratégico de Actuação

Duas premissas: concordamos todos que as coisas estão más. Analisamos a sociedade à primeira vista e concordamos com a existência de uma série de problemas, por exemplo, egoísmo ou individualismo, ou mais concretamente, comportamentos de risco como o consumo de drogas, ou a um nível mais geral, a crise económica, a pobreza ou as desigualdades. Em segundo lugar, e em resultado do meu texto anterior, concordamos que é nossa missão actuar sobre a realidade que observamos.

Interessa agora compreender e definir formas de actuar. Antes disso, importa lembrar que a regra geral da sociedade é contrária à ideia de actuação já que a actuação é, por definição, pôr em causa o status quo, o estado das coisas. É-o por motivos políticos e ideológicos. Na sociedade não existem acasos mas sim dinâmicas, instituições e estruturas.

Foi talvez essa a principal descoberta que fiz ao longo dos anos que passei a estudar Economia. Os problemas que vemos na sociedade são resultado de muitos anos de doutrinação. Os modelos económicos que regem a nossa política partem do princípio de que todos são egoístas; A felicidade do indivíduo está no consumo; As empresas devem procurar apenas o lucro; etc…

A nossa sociedade é resultado de escolhas políticas que, na sua maioria, surgiram de uma teoria e filosofia política nascida no séc. XVIII chamada liberalismo e que é a base de grande parte das teorias que fundamentam tudo o que nos rodeia, seja em termos económicos, jurídicos, políticos, etc… ou seja, tudo o que tem a ver connosco e com a sociedade que nos envolve. Mas não está tudo baseado no liberalismo. Em Portugal tivemos uma ditadura conservadora que durou quase meio século e à qual devemos grande parte das inércias e costumes da sociedade portuguesa. E além disso ainda temos de ter em consideração outras teorias que condicionaram opções políticas e o conjunto da sociedade ao longo dos últimos séculos, por exemplo, o socialismo.

A primeira regra da actuação é então a de conhecer o que está por detrás da sociedade onde vivemos. Como se desenvolveu, quais os passos que deu até se tornar aquilo que é hoje. Quais as suas bases e os seus fundamentos, porque acontecem as coisas de uma maneira e não de outra. Isto exige conhecer história mas não só, também importa conhecer teoria e sociologia política, alguma filosofia e alguma economia. As coisas que descobrimos com esse estudo colocam-nos a um nível privilegiado de conhecimento da sociedade. Desta investigação vão surgindo novas prioridades como a teologia (será importante saber de teologia para se compreender a sociedade?), talvez até a física mas com certeza, saber de filosofia das ciências e alguma biologia também não faz mal nenhum. Estar actualizado em relação a assuntos internacionais é também importante mas funciona melhor se já tivermos um conhecimento sério sobre história.

Por isso aqui fica o primeiro ponto do meu Plano Estratégico de Actuação: conhecer os fundamentos. O próximo será mais prático porque teoria sem prática é maneta. Mas prática sem teoria é apenas uma mão…