quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Degradação do Ensino Superior?

Milhares de alunos acabam por esta altura o secundário, e dentro de tempos vão estar a fazer as suas inscrições nas instituições de Ensino Superior... Outros tantos terminam também este ano as suas licenciaturas, mestrados e ect.

Num post publicado aqui lê-se...


- «Devido à irresponsabilidade dos governos, ao populismo dos parlamentares e à cobardia dos docentes, a universidade degradou-se para além do razoável»


- «o artigo 12.º, da Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece expressamente queo acesso a cada curso do ensino superior deve ter em conta as necessidades de quadros qualificados e a elevação do nível educativo, cultural e científico do País, podendo ainda ser condicionado pela necessidade de garantir a qualidade do ensino”.»


- «o acesso ao ensino superior passou a poder ser feito através do facilitismo das Novas Oportunidades ou Provas de Acesso para maiores de 23 anos para evitar fechar as portas a instituições de ensino superior de qualidade mais do que duvidosa.»
- «desde 2009 já desapareceram cerca de 1200 cursos. E agora estamos a fazer a análise dos restantes»


- «A este fenómeno de brutal desregramento na criação de cursos superiores deu o actual presidente da A3ES o nome de síndroma dos galinheiros, em entrevista ao Expresso, atrás citada, com o seguinte e jocoso argumento: “Quando se fez o primeiro aviário e se viu que dava dinheiro, toda a gente se pôs a fazer o mesmo. Depois foram as minhocas para estrume e os kiwis. No ensino superior aconteceu o mesmo. Quase todos os politécnicos têm uma escola superior agrária e agora não há agricultura. Há 14 ou 15 mil alunos nas escolas de enfermagem e que não sabem o que vão fazer. Existem 500 cursos de formação de professores com 28 mil estudantes lá dentro…É irracional. Não há uma estratégia de médio e longo prazo. E há muitas áreas onde a formação é de péssima qualidade e centenas de currículos de professores perfeitamente miseráveis”.»


- «o espectro do desemprego entre licenciados espanhóis levou a que o periódico “El País” (1989) os tivesse chamado, com propriedade, “desempregados de luxo”.»
- «como é do domínio público, a qualidade do nosso ensino superior tem osacilado, de há vários anos para cá, de um extremo ao outro com estabelecimentos de ensino de elevadíssima qualidade e outros que não passam de uma espécie de “liceus superiores”, »
- «“Onde antes havia uma pastelaria ou uma pequena mercearia, hoje tende a haver uma universidade ou uma escola superior, onde ontem se compravam pastéis de nata e garrafas de groselha, hoje conseguem-se licenciaturas e mestrados e encomendam-se doutoramentos”»
- «“com critérios mais apertados fechavam metade dos cursos”.»


-«“a ideia de democratizar o ensino superior pela via da banalização do acesso e pela crescente degradação da sua qualidade não é somente um crime contra a própria ideia de ensino superior, é também politicamente desonesta”.»


Confere?

2 comentários:

  1. Já não era sem tempo de vocês também falarem a respeito disso aqui...

    Hoje respondi ao inquérito e deixei as sugestões/reclamações que vos posto abaixo, torço para que vocês, sendo os bons representantes da nossa faculdade que são, também venham a falar sobre isso em vosso blog. Aí vai:

    Sim, há muitos a se fazer:

    1º) Os semestres de 2 meses: tendo-se aproximadamente 20 horas aulas teóricas por semestre é praticamente impossível aprender as disciplinas com a profundidade adequada.

    2º) A didáctica: sobre essa o problema é muito simples, não há nenhuma. Salvam-se raras excepções.
    Apresentar e ler slides todo mundo sabe fazer, agora ENSINAR é outra coisa. Ensinar é tornar algo difícil, fácil de aprender. É explicar, ilustrar e acima de tudo não partir da presunção de que os alunos sabem ou se lembram de tudo. Pouquíssimos são os docentes dessa instituição que demonstram-se verdadeiramente preocupados em saber se o aluno entendeu o assunto.
    Na minha opinião ser professor deveria exigir dessas pessoas pelo menos algum curso de pedagogia, nem que fosse só um introdução já se faria muita diferença!

    3º) Sobre o tempo das provas: os alunos vivem se perguntando como é que os professores calculam o tempo necessário para se fazer uma prova, pois todo santo semestre não somos avaliados sobre o que sabemos mas sim sobre quem consegue escrever mais rápido. Em mais de 75% das disciplinas não há tempo hábil para se fazer as provas!
    Mesmo os bons alunos que sabem a matéria não conseguem fazer a prova a tempo e são prejudicados. ISSO É UMA DAS COISAS MAIS DESMOTIVADORAS DESSA FACULDADE!
    E as consequências disso não ficam apenas no âmbito psicológico, vão além, para a violação da boa conduta estimulando os alunos a procurarem “outras maneiras” de conseguir solucionar as provas que não aquela que utilizam a cabeça.
    Há uma forma rápida de resolver isso basta se criar um método para avaliar se a prova criada pelo docente é adequada ao tempo.

    4º) O desnível entre ensinamento e cobrança: é cultura geral entre os docentes da FEUC que o aluno deve ser em certo grau autodidacta. Para todos os não-super-dotados isso é o mesmo que dizer que ou você aprende sozinho, ou jogará seu curso no lixo.
    O nível das aulas não acompanha, nem de longe, o nível do conteúdo cobrado nas provas. Em muitas provas cobra-se apenas “decoreba”, e a matéria dada em aula diverge drasticamente do conteúdo que se cobra nas provas.
    Além disso, nota-se ser quase uma cultura entre os docentes o fato que um alto nível de reprovação e/ou baixa média dos alunos melhora o status social. Em outras palavras trata-se a dificuldade como um factor de qualidade.
    O triste é que isso só diminui a qualidade dos alunos, dos licenciados e consequentemente da Instituição.

    5º) Os choques de horários: a universidade criou um sistema para auxiliar na administração dos cursos mas, aparentemente, o sistema tornou-se uma espécie de alter-ego administrador do curso, quase uma entidade superior inflexível.
    Os alunos devem escolher no início do ano que disciplinas irão fazer sem saberem os horários das turmas e, obviamente, como consequência, os choques de horário passaram a ser a regra e não mais a excepção.
    Qual é a dificuldade em se padronizar os horários das aulas?
    Se colocam turmas com horários pares (8 às 10, 10 às 12 e etc), que lógica existe em colocar outras turmas em horários ímpares? Ora, não percebe-se que a turma de 9 às 11 poderá se chocar com duas turmas pares (8 às 10 e 10 às 12)?
    Se não houvessem horários intercalados em pares e ímpares já se resolveria boa parte dos choques.
    Se o sistema foi criado para ser rígido precisa ser mais inteligente que isso, do contrário deve-se ceder poder para flexibiliza-lo contra as falhas!

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  2. bem.. o meu curso (Ciências Bioanalíticas) dizem as más linguas que foi criado para que a FFUC, nas ruas da amargura em termos de dinheiro, pudesse arrecadar mais uns trocos devido a ter mais alunos e tal... Assim surgiram 2 novas licenciatuaras que no fundo no fundo são duas abreviaturas do curso de Ciências Faracêuticas e que andam em fase experimental há 4 anos... Ora mudam alguns professores, ora mudam alguns dos conteudos programático, está ainda a organizar-se...

    Claro que foram introduzidas novas cadeiras, do meu ponto de vista muito importantes e que só nós temos...

    Apesar de algumas dificuldades de organização, acho que o meu curso é bom, e que realmente abre muitas portas e dá-me uma melhor especialização na area das analises...

    Mas também não sei até que ponto era necessário te-lo criado...

    No final das contas, é um bom curso, os professores sao bons e especializados (100% de professores doutorados da FFUC),as matérias são adequadas e quem sabe será um curso em fase de ascenção...

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